Pedro Mizutani expande a “nova bossa” no álbum Aquele Abraço Aos Ratos Vivos

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O cantor, compositor e multi-instrumentista carioca Pedro Mizutani lançou NOVA BOSSA: aquele abraço aos ratos vivos, primeiro álbum completo de sua carreira. O projeto chega após os EPs Aperana (2023), Pensando Baixo (2024) e Mostrando os Dentes (2025), consolidando o artista como um dos nomes emergentes mais interessantes da cena alternativa brasileira contemporânea.

Lançado pelo selo francês Nice Guys Records, o disco mistura MPB, indie pop, lo-fi e rock alternativo em uma proposta sonora que se distancia da bossa nova tradicional sem abandonar completamente sua herança estética. Influenciado por artistas como João Gilberto e Nara Leão, Mizutani constrói uma linguagem mais urbana, melancólica e experimental, marcada pelo encontro entre violões acústicos, sintetizadores e produção intimista.

Produzido por Guilherme Lírio — conhecido por trabalhos ligados à cantora Ana Frango Elétrico — e por Paulo Emmery, o álbum apresenta 11 faixas e mergulha em questões ligadas à juventude contemporânea. Entre os temas explorados estão ansiedade, excesso de informação, dependência digital, solidão urbana e saúde mental.

O próprio título do disco chama atenção pela estranheza poética: aquele abraço aos ratos vivos. Segundo o manifesto divulgado junto ao lançamento, Mizutani utiliza a figura do “rato vivo” como metáfora para jovens tentando sobreviver emocionalmente em uma realidade caótica, hiperconectada e desgastante. O artista define o álbum como “os relatos mais verdadeiros de um rato que chama a si mesmo de rato vivo”, descrevendo sentimentos atravessados por orgulho, vergonha e vulnerabilidade.

Entre as faixas já divulgadas anteriormente estão “Dia Azul”, “Presente”, “Colchão” e “Puer Aeternus (19)”, músicas que ajudaram a construir expectativa em torno do projeto. O repertório ainda inclui canções como “Escassez”, “Bird on the Net” e “Indo / Voltando”, reforçando a estética fragmentada e existencial do álbum.

Críticos têm apontado o trabalho como um retrato sonoro da chamada “nova MPB”, movimento que dialoga com artistas contemporâneos como Ana Frango Elétrico, Bruno Berle e nomes da cena independente carioca. Em fóruns de música alternativa, usuários destacam justamente a capacidade de Mizutani de transformar referências clássicas da música brasileira em algo geracional e moderno.Mais do que um revival da bossa nova, NOVA BOSSA: aquele abraço aos ratos vivos funciona como um diário emocional de uma geração cansada, ansiosa e hiperestimulada — mas ainda tentando encontrar beleza, identidade e afeto em meio ao ruído cotidiano.

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