
Uma equipe internacional de astrônomos anunciou a identificação de um novo corpo celeste com características extraordinariamente semelhantes às da Terra — embora envolto numa paisagem glacial e austera. O exoplaneta, batizado de HD 137010 b, foi identificado a cerca de 146 anos-luz de distância, orbitando uma estrela do tipo solar em um período equivalente a cerca de 355 dias terrestres.
O anúncio, feito nos últimos dias e repercutido em centros de pesquisa e veículos científicos, coloca o HD 137010 b entre os principais candidatos conhecidos a orbitar dentro da chamada “zona habitável”, isto é, a faixa orbital em que água líquida poderia existir na superfície de um planeta sob condições atmosféricas apropriadas — um dos pré-requisitos considerados essenciais para a vida como a conhecemos.
O HD 137010 b tem um diâmetro cerca de 6% maior que o da Terra, sugerindo uma estrutura rochosa — uma condição que, ao lado de uma possível atmosfera, poderia, em teoria, sustentar água líquida. A própria NASA descreve o planeta como um candidato intrigante, porque sua órbita se encontra na borda externa da zona habitável de sua estrela, um K-dwarf um pouco mais fria e menos luminosa que o Sol.
Segundo os pesquisadores, embora o planeta receba menos de um terço da energia estelar recebida pela Terra, modelos atmosféricos sugerem que, com uma atmosfera rica em gases de efeito estufa — especialmente dióxido de carbono —, poderia reter calor suficiente para permitir a existência de água líquida em sua superfície.
Os cientistas estimam que exista cerca de 40 % de chance de o HD 137010 b residir na chamada “zona habitável conservadora”, e até 51 % de probabilidade se for considerada uma definição mais otimista dessa faixa cósmica. Ao mesmo tempo, há uma possibilidade comparável (próxima a 50 %) de que o planeta esteja completamente fora dessa zona, sublinhando a incerteza inerente à fase atual de observações.
As estimativas de temperatura no planeta indicam um ambiente extremamente frio, com médias que podem cair para cerca de -68 °C a -70 °C, temperaturas semelhantes ou até inferiores às observadas em Marte — que tem média na superfície ao redor de -65 °C.
Esse extremo térmico não anula a possibilidade de habitabilidade — ele apenas a condiciona a parâmetros atmosféricos que ainda não podem ser medidos diretamente. Por ora, o HD 137010 b permanece catalogado como “planeta candidato”, porque apenas um trânsito do corpo em frente à sua estrela foi registrado com clareza pelos instrumentos da missão Kepler K2 da NASA, encerrada em 2018. Observações adicionais serão necessárias para confirmar sua órbita e outras propriedades físicas com precisão.
Apesar de seu ambiente possivelmente gelado, a descoberta do HD 137010 b representa um marco relevante na busca por mundos potencialmente habitáveis fora do Sistema Solar. Entre os exoplanetas conhecidos, são raros os que combinam tamanho semelhante ao da Terra, órbita comparável à de nosso planeta e posição na zona habitável de uma estrela parecida com o Sol — especialmente uma que seja suficientemente brilhante para permitir observações detalhadas com telescópios futuros.
O trabalho, publicado na revista Astrophysical Journal Letters, foi liderado por pesquisadores da University of Southern Queensland, com colaboração de instituições como Harvard e Oxford, e representa um avanço importante nas técnicas de detecção e caracterização de exoplanetas com potencial de abrigar vida.
A próxima etapa dos estudos incluirá tentativas de detectar mais trânsitos e — crucialmente — investigar a atmosfera do planeta. Se confirmada uma atmosfera densa, rica em gases que favoreçam um efeito estufa moderado, o HD 137010 b poderia ser um dos melhores candidatos conhecidos para estudos futuros sobre habitabilidade fora da Terra.
Enquanto isso, para a comunidade científica, o novo exoplaneta é tanto um desafio quanto uma promessa: um mundo frio, talvez inóspito nas superfícies exteriores, mas possivelmente portador de segredos sobre como a vida pode surgir e persistir em ambientes extremos além do nosso Sistema Solar.