Mano Brown transforma C6 Fest em grande baile black e anuncia novo disco dos Racionais MC’s
O rapper Mano Brown protagonizou um dos momentos mais comentados do C6 Fest 2026 neste sábado (23), no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Substituindo o cantor norte-americano Dijon, que cancelou sua participação no festival, Brown levou ao palco o espetáculo “Baile do Chefe”, misturando rap, soul, funk e black music em uma apresentação marcada por forte apelo musical e performático.
Diferente das apresentações tradicionais dos Racionais MC’s, o show apostou em uma atmosfera inspirada nos bailes black das décadas de 1970 e 1980. Com banda completa, backing vocals, DJ e dançarinos no palco, Mano Brown explorou referências do groove, da soul music e do funk norte-americano, ampliando ainda mais a proposta musical iniciada em seu álbum solo Boogie Naipe.
Visualmente, a apresentação também chamou atenção. Brown surgiu usando terno verde, gravata laranja, óculos aviador e black power, reforçando a estética retrô e elegante do espetáculo. O público respondeu rapidamente, transformando a área principal do festival em uma pista de dança coletiva mesmo sob o frio paulistano.
Entre os momentos mais celebrados da noite esteve a participação especial de Rincon Sapiência. Os dois artistas dividiram performances de músicas como “Mulher Elétrica”, “Ponta de Lança” e “Malandros Online”, aproximando diferentes gerações do rap e da música preta brasileira contemporânea.
Na reta final do show, Mano Brown surpreendeu o público ao revelar que os Racionais MC’s lançarão um novo álbum ainda em 2026. O projeto será o primeiro disco de inéditas do grupo desde Cores & Valores, lançado em 2014. O anúncio rapidamente repercutiu nas redes sociais e entre fãs do rap nacional.
O encerramento reuniu clássicos históricos dos Racionais MC’s, incluindo “Vida Loka” e trechos de “Capítulo 4, Versículo 3”, em um dos momentos mais emocionantes da noite. A plateia acompanhou em coro boa parte das letras, reforçando a dimensão cultural e geracional da obra do grupo.
A apresentação foi apontada por críticos como uma das mais fortes do festival até agora, justamente pela capacidade de Mano Brown de unir sofisticação musical, presença de palco e identidade artística em um espetáculo que transitou entre nostalgia, dança e celebração da música negra brasileira.

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