
Durante a COP 30, a Embrapa anunciou a criação de um espaço inovador para pesquisa científica: o AgForest Lab, que funciona como um coworking, mas em vez de mesas e salas convencionais tem hectares de terra produtiva. A primeira unidade desse laboratório “a céu aberto” está localizada na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), dentro da AgriZone, a “casa da agricultura sustentável” montada para o evento climático.
São 203 hectares disponíveis para empresas e para a própria instituição realizarem experimentos e testes práticos. Segundo o supervisor de inovação da Embrapa, Vitor Mondo, o AgForest Lab vai muito além de um laboratório tradicional: “é uma fazenda produtiva onde a gente coloca os processos de inovação acontecendo ali, principalmente, atividades de desenvolvimento, de validação tecnológica e de demonstração”.
Ele também destacou que o local pode ser usado para treinamentos, capacitações e eventos, reforçando o caráter institucional e didático da iniciativa. Nos primeiros projetos previstos para 2026, a intenção é desenvolver sistemas agroflorestais (SAFs) com culturas típicas amazônicas: dendê, cacau, açaí e café já estão no radar, mas a Embrapa adverte: a ideia não é se prender só a esses — há potencial para outras espécies, aproveitando a biodiversidade local.
E já tem tração no setor privado: “nove empresas ou associações” assinaram acordos para usarem esse espaço no próximo ano, segundo Mondo. Isso mostra que a Embrapa está apostando numa parceria público-privada para acelerar inovação sustentável.
Além disso, a iniciativa da Embrapa conversa diretamente com uma visão mais ampla para a COP 30: o Brasil quer mostrar como a agricultura tropical pode ser parte da solução para mudanças climáticas, por meio de práticas de baixo carbono e restauração ambiental.